brir conta no banco, fazer seguro do carro ou contratar um convênio médico. Todas essas questões são hoje triviais na rotina de qualquer consumidor. Mas você já parou para pensar nos riscos envolvidos nessas decisões?
Pode não ser costume do investidor brasileiro verificar com antecedência as possibilidades de prejuízos ao contratar um serviço. E se o banco quebrar com todo o seu dinheiro lá dentro? E se a seguradora não for confiável o suficiente para arcar com o seu sinistro? Ou com os gastos médicos?
Há uma forma de saber como anda a saúde financeira da instituição. Basta conferir o chamado rating. O conceito é simples: rating é uma nota que mostra como está o risco de crédito do banco, da seguradora ou de qualquer empresa. Ou seja, indica se há possibilidade de calote.

Análise, não recomendação
Sempre que vai emitir um título de dívida, uma companhia pode contratar uma agência especializada para dar o rating dos papéis. A agência - instituições como a Standard & Poor's, a Moody's e a Fitch - faz então uma análise detalhada dos números, dados e perspectivas da companhia. Os grandes investidores avaliam as classificações para decidir se querem ou não aplicar nos títulos da empresa.
Vale destacar, porém, que os ratings não significam qualquer recomendação de investimento. Nem é possível fazer uma ligação direta com o desempenho das ações da empresa no mercado - afinal, a análise é sobre os títulos de dívida (como debêntures e bônus). O objetivo, sempre, é mensurar o risco de as instituições não cumprirem suas obrigações financeiras.
As notas são públicas e podem ser acompanhadas por qualquer investidor. Os grandes já fazem isso, mas os pequenos ainda não estão acostumados. "A velhinha de Taubaté teria de aprender a ser como a velhinha de Nova York, que olha o rating de um banco ao abrir uma conta", diz a presidente da Standard & Poor's Brasil, Regina Nunes. "O cliente quer que o banco sobreviva às oscilações de mercado e continue existindo no longo prazo", completa.
O diretor-geral para o Brasil da Moody's, Luis Tess, afirma que todo rating embute uma possibilidade de default - o termo técnico usado para designar o calote. Um levantamento da agência mostra que a taxa de inadimplência para a nota mais elevada (Aaa) é baixa. Entre 1970 e 2000, apenas 0,67% dos títulos com classificações altas resultaram em calote. No entanto, nos ratings mais baixos (B), a probabilidade de default em dez anos é de 44,5%.
"Os casos das seguradoras devem ser os mais observados", acredita o diretor-executivo da Fitch, Rafael Guedes. "É nessa hora que o consumidor precisa receber os recursos por um roubo de carro ou o falecimento de alguém", argumenta.
O curioso é que, entre as grandes seguradoras do mercado brasileiro, apenas Itaú e Bradesco possuem ratings. As duas receberam nota Isso porque a contratação das agências não é obrigatória e fica a critério das instituições.
Além de ser pouco conhecido entre os pequenos investidores, o uso do rating enfrenta outro obstáculo. As escalas de notas são um tanto cifradas, o que dificulta a compreensão até mesmo pelos investidores mais habituados.
Deve-se lembrar ainda que as agências de classificação de risco também erram. Um caso bastante criticado é o do Banco Rural, que só teve sua nota rebaixada depois que vieram à tona as denúncias de que políticos utilizaram contas na instituição para movimentar recursos do chamado "mensalão".
Links
Moody's: www.moodys.com.br
Fitch: www.fitch.com.br
S&P: www.standardandpoors.com.br